Saiba tudo sobre a Cinomose

Cinomose Canina
Cinomose Canina

O que é a cinomose?

Saiba tudo sobre a cinomose:

A cinomose é uma doença infecciosa canina que mais afeta os cães, com seus sinais e sintomas inespecíficos e é causada por um vírus. Possui uma alta taxa de contágio e acomete cães que provavelmente não terminaram o seu processo de vacinação na fase de filhotes ou adultos que não recebem anualmente as vacinas (V8, V10, V11 ou V12).  

A evolução da doença depende dos fatores imunes de cada indivíduo infectado podendo ocasionar o óbito.

Em relação a taxa de mortalidade, normalmente varia entre 30 a 80% e os animais sobreviventes geralmente apresentam sequelas permanentes do SNC (Sistema Nervoso Central) ou complicações mais tardias, exemplo: encefalites desmielinizantes (encefalite do cão velho) ou hiperqueratose das patas (CATROXO, 2003).  

Sobre o vírus da cinomose, na maioria das vezes leva um processo de desmielinização, o que quer dizer que houve uma destruição da bainha de mielina que reveste  todas as terminações nervosas do sistema nervso do animal.

A cinomose é uma doença grave, mas pode ser evitada através da vacinação correta a partir de 45 dias de vida do filhote (CORRÊA, 1991).  

Na infecção pelo vírus da cinomose e da Parainfluenza, geralmente ocorrem em associação, que causa diversos surtos de doença respiratória em cães (DAMIÁN et al., 2005). 

Em pesquisa, podemos observar que o vírus pode sobrevier bastante tempo no ambiente frio, o que é consequentemente, considerada uma doença de inverno.  

 O diagnóstico da doença é geralmente clínico por decorrência aos sintomas apresentados e assim podendo solicitar os demais exames complementares.  

No tratamento estabelecido, pode variar de acordo com a clínica que tratará o animal.

Na profilaxia e manejo devem ser corretamente orientadas e incluir a vacinação determinada, controle ambiental junto com a higienização adequada, ingestão do colostro e isolamento total desses animais infectados com a doença.  

Sobre a Doença e o Vírus:

É uma doença infecciosa de risco altamente contagiosa, que é causada por um Morbillivirus da família Paramyxoviridae. Possui uma distribuição no mundo todo e contém altos índices de morte.  

A doença geralmente acomete os animais que fazem parte da ordem Carnívora, que são eles: os cães, raposas, guaxinins, ferrets, hienas, leões, pandas vermelhos, focas, entre outros animais.  

Tendo em vista os sinais, são eles inespecíficos e possuem características aguda a subaguda, que incluem ocorrências no sistema gastrointestinal, respiratório e até neurológico. Na parte do tratamento é conforme cada sintoma, sendo assim é necessário um acompanhamento de acordo com a evolução da doença em cada indivíduo. 

 Acredita-se em uma maior incidência da doença em períodos quando existem falhas no sistema imune daquele animal, assim proporcionando a infecção em qualquer idade, sendo comum quando há uma menor quantidade de anticorpos em animais filhotes de 60 a 90 dias de idade.  

Quando se trata dos métodos diagnósticos usados para cinomose, compreendem no histórico do animal, RT-PCR, imunofluorescência indireta, exames histopatológicos, ensaios imunohistoquímicos e a visualização de corpúsculos de inclusão (Lentz) no esfregaço sanguíneo periférico, tornando-se patognomônico para a doença.  

Sobre a Causa:

A cinomose pode ser transmitida entre cães por via respiratória, o que torna a transmissão fácil. É causada por um vírus do gênero Morbillivirus, da família Paramyxoviridae. Os cães mantidos em casas, clínicas veterinárias, ruas ou acampamentos podem propagar a doença. Estas são responsáveis pela ligação aos receptores nas células e disseminação da doença em vários tecidos.  

Em estudo, acredita-se que a propagação na vida selvagem ocorre por meio de alterações moleculares no gene da hemaglutinina (Greene & Vandevelde, 2015). 

O ingrediente ativo da doença possui diversas cepas, umas das quais são altamente virulentas e neurotróficas. Em relação ao formato do vírus, possui uma fita de RNA negativa e é revestido por glicoproteínas virais H e F (proteína de inserção ou proteína de fusão).  

O vírus pode ser transmitido com os alimentos contaminados, objetos, lugares ou pela contaminação do ar ambiente. Os animais infectados não podem transmitir a doença para outros animais enquanto não se manifesta os sinais clínicos da doença.  

A transmissão pode ocorrer de um animal infectado para outro não imunizado. 

Esse poderoso vírus é capaz de se multiplicar em tecidos linfáticos, nervosos e em até tecidos epiteliais e mantém-se presente nas amostras de fezes, urina, saliva, conteúdo respiratório e exsudatos conjuntivais dos animais por até 60 a 90 dias após a ocorrência da infecção (Nelson & Couto, 2015). 

A disseminação dessa doença acontece através do contato direto com secreções contendo vírus que são elas os aerossóis, secreções orais nasais, urina e fezes dos animais infectados.

A doença geralmente ocorre em animais jovens, não vacinados, de forma aguda e com as manifestações clínicas inespecíficas, o que dificulta o diagnóstico precoce (Tozato et al., 2016). Jericho et al. (2015) descrevem que existe transmissão vertical, embora seja muito rara. 

Segundo Greene & Vandevelde (2015), o vírus da cinomose é sensível à luz ultravioleta, ao calor e até a seca, o que facilita a desinfecção de ambientes e rebanhos que tiveram contato com os animais infectados. 

O agente da doença pode ser destruído em até 30 minutos em temperaturas de 50 ° C e 60 ° C, mas permanece em temperaturas próximas ou abaixo do ponto de congelamento (-65 ° C a 4 ° C) e com flutuações de pH por um longo período de tempo estável e altamente viável entre 4,5 e 9. 

O processo de desinfecção é baseado em éter e clorofórmio, solução de formaldeído diluído (menos de 0,5%), 0,75% de fenol e produtos baseados em amônio quaternário a 0,3% são capazes de eliminar o vírus do meio ambiente e dos lugares infectados com a doença.

Doença Clínica:

 Logo após as 24 horas de vacinação, o vírus se multiplica e se espalha para as amígdalas e nódulos linfáticos brônquicos.

A replicação generalizada do vírus ocorre em quatro a seis dias, causando uma diminuição da taxa sanguínea de leucócitos e aumento da temperatura corporal do animal.

A intensidade e os sintomas da infecção dependem da resposta imune e da cepa particular do vírus, mas a imunossupressão predispõe a infecções secundárias com gastroenterite, broncopneumonia, dermatite e conjuntivite (Greene & Vandevelde, 2015.); Jericho et al., 2015). 

Uma vez disseminado, o vírus destrói os pneumócitos, as células bronquiolares e macrófagos da região alveolar, o que predispõe a infecções secundárias e reduz o suprimento de oxigênio nas células.

Nessa situação, é comum o animal apresentar uma broncopneumonia purulenta.  No nível do sistema digestivo, o vírus da cinomose destrói os enterócitos e pode ocasionar a diarreia no indivíduo.

A hipoplasia do esmalte pode ocorrer em animais que estão se recuperando pelo motivo de que o vírus afetou o desenvolvimento dos botões dentários e ameloblastos (Zachary et al., 2012). 

Os sintomas nervosos podem se apresentar de diversas maneiras, dependendo da área afetada.

Em geral, podem ocorrer algumas inclinações da cabeça, convulsões, nistagmo, paralisia parcial ou total, caminhada obsessiva-compulsiva, mioclonia, tremores, hiperestesia e até a cegueira. (Jericó et al., 2015; Zachary et al., 2012). 

Em relação as alterações no hemograma mais comuns são a anemia, leucopenia, linfopenia, eosinopenia e trombocitopenia. 

Estrutura do vírus da cinomose. Fonte: Greene
& Vandevelde (2015).

Sinais Clínicos

Os sinais clínicos da doença contam com um sinal bastante comum que é a diarreia, o sistema digestório é geralmente o primeiro a ser atingido.

Quando a doença chega a um estágio mais avançado, o sistema respiratório é acometido apresentando secreções amareladas e densas que saem pelo nariz e na região dos olhos do animal.

Na fase mais complicada da doença é quando há o acometimento do sistema nervoso central do animal, tal que passa a ter um andar desorientado e bastantes tremores musculares, que possivelmente podem gerar convulsões.

Os principais sinais clínicos são:

  • Apatia
  • Perda de apetite
  • Diarreia
  • Vômito
  • Febre
  • Secreções oculares
  • Secreções nasais
  • Convulsões
  • Paralisias
  • Tiques Nervosos
  • Falta de coordenação motora
  • Tremores musculares

Um cão infectado com a cinomose pode eliminar o vírus pela urina, fezes e pelas secreções nasais e oculares.

É extremamente importante evitar o contato do seu pet com outros cachorros durante este período da doença.

A infecção de outros cachorros pelo seu pet também pode acontecer por objetos que o animal tenha tido contato como a casinha, cobertores, bebedouros e alimentos.

O contato do cachorro com a doença não precisa ser necessariamente próximo ou direto.

Essa infecção pode ocorrer quando passeamos com o nosso cachorro por lugares onde cães doentes tiveram o contato e acabaram eliminando o vírus, por vias orais, secreção e excreção do vírus, tais lugares públicos como parques, ruas e entre outros.

Tratamento

Inicialmente, o tratamento da doença consiste em isolar o animal infectado para dificultar a disseminação do vírus entre outros animais. 

Em relação aos cuidados  terapêuticos durante a abordagem na clínica, que inclui a fluidoterapia, antibioticoterapia, o uso de vitaminas, anticonvulsivantes (se caso for necessário), imunoestimulantes, anti-eméticos em caso de sinais gastrointestinais e analgésicos para o alívio rápido. 

O uso de vitaminas do complexo B também podem ajudar os animais acometidos pois visa um equilíbrio no metabolismo do animal e também estimular o apetite que foi danificado com a infecção.  

O medicamento ribavirina é um antiviral que tem sido aplicado nos casos e tratamentos para a doença. Entende-se que o seu mecanismo de ação atua interferindo na síntese de mRNA viral e impede a replicação do vírus da cinomose.  

No uso de glicocorticoides para o tratamento, é contra indicado em caso de infecção aguda, no entanto pode favorecer o paciente que tenha sintomatologia neurológica (Nelson & Couto, 2015). 

De acordo com Mangia & Paes (2008), que  apontaram o uso da dexametasona, age melhor na diminuição do edema cerebral, mantendo-se as doses anti-inflamatórias.  

Os tratamentos complementares estão sendo empregados para uma melhora da qualidade de vida dos animais que foram acometidos pela doença e mantiveram algumas sequelas. 

Tais eles como a acupuntura, onde atua através de estimulos de determinadas partes do corpo do animal, com a ajuda de uma agulha é estimulada e alívia a dores e promove o relaxamento do corpo.

Também pode ser feita a fisioterapia que certamente proporcionam ótimos resultados. Esse tratamento feito com fisioterapia, são indicados na maioria das vezes nos  casos de paralisias, paresias, mioclonia, déficit de propriocepção, retenções urinária e fecal juntamente com a incontinência urinária e a atrofia muscular. 

Medicamentos

Não existem antivirais eficientes que combatamtotalmente a cinomose.

Entretanto, os tratamentos consistem em tratar os sinais clínicos ocasionando nos diversos sistemas acometidos pela doença:

  • Antibiótico terapia e anti-pirético para as infecções existentes no sistema digestório e respiratório.
  • Também são usados expectorantes, bronco dilatadores e antieméticos (alívio das náuseas e vômitos).
  • Soros (fluidoterapia), que corrigem a extrema desidratação causada pela diarreia.
  • Alguns anticonvulsivante são usados para as crises convulsivas devido ao ataque no sistema nervoso.
  • Os suplementos nutricionais e terapias alternativas são importantes para o tratamento da doença como a acupuntura para restabelecer a resposta imunológica do animal.

Diagnóstico da Cinomose

O diagnóstico de cinomose deve ser feito especificamente por um médico veterinário.

Sendo analisado os diversos sinais clínicos que o cão apresenta para realizar os exames necessários como o laboratorial, radiografia ou PCR (exame do DNA) que confirmam a presença da cinomose.

Com isso, o profissional consegue ser capaz de indicar o melhor tratamento, para cada estágio da doença no cachorro.

A prevenção é feita a partir da realização da vacinação anual no seu cachorro. A vacina para cinomose está dentro do fardo entregue pelas vacinas V8 , V10 e V11.

Em relação a prevenção dos filhotes que são os mais afetados pela doença por ter um sistema imunológico frágil, precisam receber de três a quatro doses da vacina a partir dos 45 dias de vida, com um intervalo de 21 a 30 dias entre essas aplicações das vacinas.

Após a última dose, o sistema imunológico do animal estará pronto para combater o vírus caso haja qualquer contato com esta doença, sendo assim liberados para os demais passeios diários e o contato com outros cachorros.

Prevenção:

A melhor profilaxia para a cinomose é a utilização e renovação de vacinas e polivalentes eficazes para a doença, a vacina também possui os agentes para previnir as outras doenças, como a leptospirose, a parvovirose e até a hepatite infecciosa canina que também são doenças prejudiciais a saúde dos animais e de grande importância para a prevenção, você também encontrará mais sobre essas doenças no nosso site.  

É importante verificar às condições imunológicas do paciente, pois se a vacinação não tiver os resultados esperados pode ser que existam anticorpos maternos presentes ou o protocolo vacinal não tenha sido executado corretamente.  

O filhote no período neonatal recebe o colostro da genitora e respectivamente tem imunidade entre uma a quatro semanas de vida, sendo assim o protocolo de vacinação deve ser feito após esse período.

Existem algumas variedades nas vacinas utilizadas nessa doença, o que tem como objetivo uma resposta imune adequada para cada organismo.

A vacina que possui o vírus vivo modificado retém o organismo causador da doença. O que não é patogênico, e assim possibilitando que aconteça uma resposta imunológica de modo que ocorra uma proteção em animais saudáveis.

 Na vacina inativada, inclui um organismo inativo, que é incapaz de provocar a doença, o que necessita de doses múltiplas para atingir a imunidade completa.  

De acordo com Greene & Vandevelde (2015), apontam que as vacinas inativadas apresentam uma falta de proteção imunológica completa, visto que o uso da vacina com vírus vivo modificado pode levar a resultados de falsopositivos no soro até 4 semanas após a vacinação. 

Estima-se ainda que a vacinação com a vacina viva deva ser feita trienalmente, porém devido às dificuldades de avaliar a titulação e entre outras dificuldades encontradas em cada caso, a vacinação geralmente é feita anualmente.  

Sobre a cinomose:

O que é mais importante levar deste site?

Após essa incrível leitura, podemos avaliar que a doença não possui cura mas os seus melhores tratamentos foram especificamente citados acima. 

Sem dúvidas é uma doença altamente contagiosa, apresenta uma fácil disseminação o que provoca altas taxas de óbito em animais não vacinados ou que não tenham tido o reforço anual da vacina.

 Com a leitura também podemos perceber o dever de nos atentar mais para a profilaxia da doença, em razão que o protocolo instruído seja apropriado para o animal em evidência.  

Uma boa avaliação clínica do estado geral do animal é necessariamente realizada para que as probabilidades de transmissão ou contato com a doença sejam antecipadamente evitadas. 

Os disponíveis meios diagnósticos acomodados devem ser solicitados nos casos de suspeita de cinomose, ainda que o histórico clínico manifeste maiores sintomas. 

O tratamento adequado deve ser instituído ao indivíduo acometido, o mais rápido possível após a confirmação da doença, de forma que não haja uma maior afecção aos demais sistemas e promova auxílio  no mecanismo de ação do sistema imunológico do animal no sentido de combater o agente patogênico citado acima.  

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